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Como ajudar pessoas em situação de rua em tempos de covid-19? | Vamos nos cuidar sem pânico?

Como ajudar pessoas em situação de rua em tempos de covid-19? | Vamos nos cuidar sem pânico?

Por: Bruna de Oliveira*

Na foto, viaduto Otávio Rocha | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Quem não tem casa se isola onde? Você já parou para pensar nas pessoas em situação de rua no meio da pandemia que está acontecendo?

Em Porto Alegre, cerca de 4.000 pessoas vivem em situação de rua. Eles e elas precisam ser cuidados pelo Estado, via políticas públicas de assistência e saúde, mas também pela solidariedade e os princípios cooperativos que nos movem enquanto sociedade civil. Em tempos de pandemia, essas pessoas estão em um dos grupos de risco em relação ao novo Coronavírus (Covid-19).

Preocupado com a saúde física e mental dessa população o Grupo Suprapartidário para Combate da Pandemia do Covid-19 junto a População de Rua de Porto Alegre reuniu-se na última quinta-feira (19) e organizou uma série de orientações para quem quiser ajudar. A nutricionista social Ana Mattos, que colabora com o grupo, explica que essa iniciativa “envolve tanto o Poder Público quanto a sociedade civil num esforço solidário e responsável.”

Entre as ações encaminhadas, foram estabelecidos três pontos de coleta de doações que podem ser realizadas por tele-entrega. As doações são recebidas, higienizadas e distribuídas por equipes de saúde qualificadas para estas atividades. “A população de rua é um grupo de risco, então não levem o vírus até eles. Tem uma corrente de pessoas querendo ir ajudar, mas a ajuda deve ser dada a distância. Não procurem o pessoal, pois eles também estão sendo encaminhados para isolamento”, recomenda Ana que também é pesquisadora e defensora dos direitos para pessoas em situação de rua.

O que e como doar:

Água potável, sabão ou sabonetes, bombonas de água vazias, álcool gel, máscaras faciais, luvas, lenços umedecidos, toalhas de papel, atilhos, sucos ou bebidas em embalagens individuais e alimentos não perecíveis estão sendo recebidos nos pontos de coleta que funciona de segunda a sexta, das 9h às 15h.

Confira os endereços dos lugares de coleta:

Escola de Porto Alegre – EPA
Rua Washington Luiz, 203 – Centro Histórico

OSC Misturaí
Rua Luiz Manoel, 229 – Vila Planetário

AMURT-AMURTEL
Juca Batista, 6841 – Ponta Grossa

Albergues e Restaurantes Comunitários são outras estratégias de acolhimento e cuidado. Além dos pontos de coleta, Porto Alegre possui um abrigo temporário a partir desde a última segunda-feira, dia 23, para acolher pessoas em situação de rua durante a pandemia do Coronavírus. O prédio será o da Organização Irmandade Nossa Senhora dos Navegantes, na zona norte da capital. O acolhimento oferecerá cuidados de higiene, alimentação e estadia, sempre a partir das 19h.

O espaço, localizado na Rua Praça Navegantes, 41, possui três andares, quartos coletivos arejados e refeitório. “O objetivo é garantir o isolamento da população em situação de rua. Nossas equipes estão preparando o espaço para receber as pessoas a partir do início da semana”, explicou a presidente da Fasc, Vera Ponzio em matéria publicada no site da prefeitura.

Rede de Serviços (atendimento das 19h às 7h):

Albergue Acolher 1
Endereço: Rua João Simplício nº 38, Vila Jardim
Telefone: 3737.2279

Albergue Acolher 2
Endereço: Rua 7 de Abril, n º 315, bairro Floresta
Telefone: 3737.2118

Albergue Dias da Cruz
Endereço: Avenida Azenha, 366 – Bairro Azenha
Telefone: 3223.1938

Prato Alegre | Restaurante Comunitários:

Atualmente existem dois restaurantes comunitários na cidade que compõem o programa Prato Alegre. Estes equipamentos sociais atendem pessoas em situação de rua, idosos vulneráveis e famílias em pobreza e extrema pobreza. As refeições são subsidiadas integralmente pela prefeitura de Porto Alegre e o requisito para acessar os restaurantes é o Cadastro Único do Sistema Único de Assistência Social – SUAS. Em conversa telefônica com a nutricionista da Unidade de Segurança Alimentar e Nutrição Sustentável – USANS, Vanusa, em função da pandemia, os restaurantes estão abertos para toda a população em situação de vulnerabilidade socioeconômica e/ou em situação de rua.

“Servimos 300 refeições no restaurante do Centro e 150 refeições no restaurante da Cruzeiro. Houve um aumento significativo da procura por alimentação pela pandemia.” declara a nutricionista que também informa sobre as ações de prevenção que estão sendo tomadas: filas com distanciamento entre os comensais para entrada no refeitório com, no máximo, 4 pessoas sentadas por mesa. Pessoas que possuem domicílio estão recebendo marmitas para serem consumidas em casa e não gerar aglomeração nos espaços.

Os restaurantes dos bairros Centro e Cruzeiro começam suas operações a partir das 11h30min até atingir o número máximo de refeições preparadas.

Endereços dos restaurantes:

CENTRO – Rua Garibaldi, 461.
CRUZEIRO – Rua Dona Otília, 210.

Você pode entrar em contato com esses espaços para receber mais informações sobre como contribuir com doações. Lembrando que Porto Alegre está há oito dias publicando diferentes decretos que regulamentam a ampliação do distanciamento social para frear o contágio da doença e salvar vidas.

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*A sistematização dessas informações foi realizada por Bruna de Oliveira, nutricionista, comunicadora popular e sócia-fundadora da Crioula | Curadoria Alimentar. “Vamos nos cuidar sem pânico!” é uma série de reportagens com informações que nos nutram a criar dinâmicas sociais de solidariedade e cooperação durante (e após) a pandemia do Covid-19.

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www.catarse.me/crioulacuradoria

Seguimos. 🌻

 

Alunas de nutrição entrevistam nutricionista ecológica

Alunas de nutrição entrevistam nutricionista ecológica

Entrevista concedida às alunas da disciplina de Introdução à Nutrição do curso de Nutrição do Instituto Federal do Ceará – Campus Limoeiro do Norte. Desejo contribuir com a formação da turma com minhas experiências profissionais enquanto nutricionista.

Qual a sua graduação? Quando concluiu o curso?

Sou graduada em nutrição pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, localizada no município de São Leopoldo no estado do Rio Grande do Sul. Concluí minha graduação em julho de 2015.

Se você fez pós-graduação, qual o seu último título?

Fui mestranda no Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural – PPG MADER, na Faculdade de Planaltina – Universidade de Brasília. O curso não foi concluído.

Atualmente, onde atua profissionalmente?

Atualmente sou empreendedora social com a Crioula – Curadoria Alimentar.

Qual função exerce?

Sou fundadora da empresa e desenvolvo diferentes funções na organização.

Quais as principais atividades desenvolvidas diariamente?

Não trabalho no formato convencional de ocupação profissional. Não tenho uma carga horária fixa diária de trabalho nem uma rotina fixa de atividades.

Produzo conteúdo digital então, diariamente acesso diferentes plataformas de notícia e instituições de pesquisa para me inteirar das descobertas e acontecimentos em torno dos temas que a empresa trabalha: meio ambiente, ecologia, alimentação e cultura. Além das atividades de produção de conteúdo; trabalho com marketing digital, assessoria e consultoria para restaurantes, escolas e demais instituições que querem desenvolver soluções ecológicas nos sistemas alimentares formados.

Como trabalho com Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC, também saio para realizar coletas pelos bairros da cidade onde estou atualmente, Porto Alegre. Cozinho, registro minhas preparações para as redes sociais. Tenho uma linha de produtos ecológicos chamada Nobis e beneficio os alimentos: molhos salgados, compotas, conservas e geleias com alimentos produzidos de forma agroecológica, orgânicas e coletadas pela cidade.

Organizo planos de aula para cursos e formações. Cozinho em restaurantes veganos. Eu faço várias coisas. Cada dia é um dia, cada semana é uma semana. Mas sempre realizo coletas pelas cidades e produzo conteúdo para a internet.

Este foi o seu primeiro emprego? Se Não, em que outros locais atuou e funções que exerceu?

Não, eu já trabalhei um bocado! kkkkk  Minha primeira experiência profissional depois de formada foi no campo da pesquisa. Atuei como auxiliar de pesquisa na Gerência Regional de Brasília da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz Brasília no Programa de Alimentação Nutrição e Cultura. Por 3 anos contribuí nas pesquisas elaboradas pelo programa; contribuí no desenvolvimento do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares – OBHA.

Já realizou/participou de algum curso, congresso, fórum, palestra na área de Nutrição? Se Sim, definir temáticas:

Sempre participei de eventos relacionados à Alimentação e Nutrição: Segurança Alimentar e Nutricional; Agroecologia; Cultura Alimentar e Sustentabilidade.

II Workshop sobre Estratégias Alimentares e de Abastecimento (II WEAA). Ocorreu em Porto Alegre em outubro de 2019 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. |https://www.ufrgs.br/weaa/

II Encontro Nacional sobre Hortaliças não Convencionais (HortPANC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ocorreu em agosto de 2018. | http://www.fm.usp.br/fmusp/noticias/ii-hortpanc-atrai-pessoas-de-outros-estados-para-acompanhar-oficinas-de-culinaria-e-manejo-de-plantas-nao-convencionais

III Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada – AgrUrb. Aconteceu em setembro de 2018 em Porto Alegre na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS | http://www.ufrgs.br/ufrgs/eventos/iii-conferencia-internacional-agricultura-e-alimentacao-em-uma-sociedade-urbanizada-agurb

Você se considera realizado profissionalmente? Quanto ao nível de satisfação profissional, como se considera?

Sim, muito satisfeita!

Quais os motivos que o (a) levam a este grau de satisfação?

Trabalho com algo que têm sentidos e significados que extrapolam as fronteiras do exercício profissional, sinto-me realizada enquanto ser vivo na existência por ter a oportunidade de atuar com uma nutrição socioambiental que considera as dimensões culturais do alimento. Considero-me uma nutricionista ativista e regenerativa, pela nutrição encontro caminhos de transformar modos de vida que sejam saudáveis e adequadas para as pessoas e o planeta.

A Nutrição vem se tornando cada vez mais conhecida pela população. A que você atribui esta evolução?

Para além de pensar quanto a população conhece a nutrição, é preciso refletir como as pessoas conhecem a nutrição. O destaque desse campo de atuação ainda está bastante vinculado a dimensão biológica do nutrir. A dimensão da alimentação enquanto setor econômico e elo social do ser humano com seu habitat é uma perspectiva ainda pouco difundida na população. Nutrição estética e esportiva ainda são os perfis mais procurados nas redes sociais e a busca por um emagrecimento por um símbolo de beleza magro amplificam a audiência dessas linhas.

Percebo que as atenções sob as mudanças climáticas e seus prejuízos ambientais atualmente no mundo, leva uma parcela da população a buscar práticas saudáveis e sustentáveis para sua alimentação cotidiana.

Em suma, a internet amplificou as informações que circulam entre as pessoas e isso também incluí o setor de alimentos. A oportunidade de apresentar as diferentes possibilidade de comer e nutrir pela web, me parecem ser elementos importantes de serem estudados. Romper com o nutricionismo que cerca a formação do nutricionista é importante para que a evolução entre as pessoas seja qualitativo.

Quais os desafios desta profissão?

Penso que respondi indiretamente essa questão na anterior. Pensar nos diferentes sistemas alimentares existentes e como a nutricionista pode contribuir para promoção de saúde no território que atua é essencial. E para isso, é preciso uma formação abrangente, integrada e sistêmica. Isso pressupõem uma reformulação na formação que inclua temas como agrotóxicos; desertos alimentares; desigualdades alimentares e muitas outras temáticas que estão na dimensão do produzir e comer. Borrar as fronteiras do nutrir compreendendo que, sem biomas saudáveis; sem populações originárias e ancestrais; sem cuidado e respeito com o ambiente não há uma boa nutrição.

O que o (a) levou a escolha desta profissão?

Escolhi cursar nutrição porque queria trabalhar com combate à fome. A formação acadêmica foi o necessário para ter um título de profissional, mas os saberes e conexões que realizei para ser a profissional que sou hoje ocorreram fora do currículo da universidade. As atividades complementares, os projetos de extensão em Saúde Pública, os intercâmbios que trataram sobre inovação e setor de alimentos foi o que oportunizou que hoje eu me sinta exercendo a profissional seguindo a motivação primordial que me fez ser nutricionista.

Você possui outros objetivos/planos profissionais? O que deseja ainda?

Eu desejo obter uma fonte de renda financeira suficiente para seguir realizando as atividades que acredito serem transformadoras e disruptivas. Não é fácil enfrentar o mundo do empreendedorismo, ainda mais na temática que escolhi com negócio ecológico. Meus planos são me especializar na edição de vídeos para aperfeiçoar minhas redes sociais e fazer conteúdos cada vez mais acessíveis.

Tenho o sonho de criar um ponto de cultura alimentar onde poderei articular todas as frentes que atuo hoje em um só lugar. Plantar, colher, cozinhar, exercer a comensalidade que é um fenômeno coletivo, gentil, afetivo e muito potente para geração de vida que desdobra-se num estado de bem-estar – que é saúde no meu ponto de vista.

Que mensagem você daria a um estudante de Nutrição?

Saiam da bolha. Conversem com as pessoas. Olhem para uma cenoura vendo-a como um ser vivo que se relaciona conosco tanto quanto nós ao preparar uma salada ou bolo. Precisamos ser mais animais e menos humanos. Precisamos romper com as gaiolas que os nutrientes colocam nosso campo de saber para que ele tenha plasticidade o suficiente para acolher essa dinâmica complexa e múltipla que é a alimentar e nutrir a humanidade.

Na sua visão, quais as principais funções de um nutricionista?

Temos o privilégio de trabalhar com a fonte de vida de pessoas, sociedades. Pra mim, não há principais funções porque cada realidade exige competências e habilidades diferentes. Pra mim, os principais elementos de um nutricionista deve ser a empatia e ecologia para um mundo mais nutrido e solidário.

Edital financiará projetos de sustentabilidade em escolas no Brasil

Edital financiará projetos de sustentabilidade em escolas no Brasil

Desafio Escolas Sustentáveis abre chamada para planos de ação de escolas públicas voltados à educação para sustentabilidade

 

Elaborado por: Alessandro Abate

Com o objetivo de estimular cada vez mais a cultura do consumo consciente e da sustentabilidade dentro das escolas públicas, o Instituto Akatu lança o Desafio Escolas Sustentáveis. A iniciativa faz parte de um esforço global, coordenada pelo IGES e pela One Planet Network e financiado pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão, que vai financiar os melhores planos de ação que promovam a educação para o consumo consciente e a sustentabilidade.

O objetivo do Desafio é que diretores, coordenadores pedagógicos, professores e alunos trabalhem juntos no desenvolvimento de planos de ação que promovam melhorias em suas escolas, tanto em aspectos físicos e estruturais como em pedagógicos, a fim de estimular a educação para um futuro mais sustentável e equilibrado.

Os planos de ação serão selecionados com base em critérios como governança da escola, mudança curricular e estrutural, participação dos alunos e da comunidade, potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa e promoção do consumo consciente. Serão cinco vencedores, uma escola de cada região do país. Elas receberão o financiamento de R$ 30mil para os seus planos, e a escola com o melhor plano de todos receberá um financiamento adicional de R$ 75mil (total de R$ 105mil).

As inscrições vão até 15 de outubro e as escolas de ensino básico de todo o país poderão submeter seu plano de sustentabilidade por meio do hotsite https://edukatu.org.br/escolas_sustentaveis. Cada escola poderá fazer apenas uma submissão, porém com duas versões do plano: uma com custo de R$ 30mil e outra com custo de R$ 105mil, ambas planejadas para execução em no máximo de seis meses, de fevereiro a agosto de 2020.

“O Instituto Akatu tem orgulho de ser o parceiro escolhido para essa iniciativa global. O Edukatu, nossa rede de aprendizagem que visa incentivar a troca de conhecimentos e práticas sobre consumo consciente entre professores e alunos, realizará uma série de ações para divulgá-la e ajudar as escolas a preparar seus planos. Estamos ansiosos por colaborar com ideias que fomentem um ambiente escolar estimulante para debater e incorporar práticas e hábitos de um estilo de vida mais sustentável em todo o Brasil”, explica Helio Mattar, Diretor-presidente do Instituto Akatu.

A iniciativa será realizada simultaneamente em mais oito países – Namíbia, África do Sul, Uganda, Camboja, Quirguistão, Filipinas, Vietnã e Suriname – e o intercâmbio entre os participantes será incentivado. A escola brasileira que conquistar o maior financiamento indicará representantes para participarem de encontros internacionais e studytours em outros países, com o objetivo de promover a troca de experiências.

Sobre o Akatu

Criado em 15 de março de 2001 (Dia Mundial do Consumidor), o Instituto Akatu é uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente. Tem como proposta e objetivos contribuir para a mudança de comportamento do consumidor, a partir de duas frentes de atuação: Educação e Comunicação, com o desenvolvimento de campanhas, conteúdos e metodologias, pesquisas e eventos. O Akatu também atua junto a empresas que buscam caminhos para a nova economia, ajudando a identificar oportunidades que levem a novos modelos de produção e consumo, que respeitem o ambiente e o bem-estar, sem deixar de lado a prosperidade.

Sobre o Edukatu

Projeto do Instituto Akatu, o Edukatu é a primeira rede de aprendizagem sobre os conceitos e práticas do consumo consciente e da sustentabilidade para alunos e professores do Ensino Fundamental de todo o Brasil. Desde 2013, o Edukatu já soma mais de 200 mil pessoas impactadas e comemora os mais de 30 mil alunos, 8 mil professores e 3 mil escolas cadastrados em sua base, em todo o Brasil.

 

Concurso de Cartaz do Dia Mundial da Alimentação

Concurso de Cartaz do Dia Mundial da Alimentação

A FAO está convidando crianças e adolescentes de todo o mundo, entre 5 e 19 anos para usar sua imaginação e criar um pôster que mostre sua ideia do que precisa ser feito para ofertar dietas saudáveis ​​para todos e como cada um de nós pode melhorar nossa alimentação cotidiana.

Foi desenvolvido um livro de atividades do dia que apresenta o importância de uma alimentação saudável para os povos e como a sociedade pode unir forças para promover ações que gerem uma melhor nutrição e a erradicação da fome. #zerohunger 

Os desenhos devem ser digitalizados ou fotografados para realizar a inscrição. A garotada tem até o dia 8 de novembro para preencher o formulário e se inscrever. 

Três vencedores em cada categoria de idade serão selecionados pelo nosso júri e anunciados em dezembro. Os vencedores serão promovidos pelos escritórios da FAO em todo o mundo e receberão uma sacola surpresa e um Certificado de Reconhecimento.

Quem pode participar?

O concurso é aberto a crianças e jovens entre 5 e 19 anos, que vivem em qualquer lugar do mundo. A idade a declarar no formulário de inscrição é a data da inscrição no Concurso. Os menores devem ter a permissão de seus pais ou responsáveis ​​legais para participar do Concurso.

Como posso participar?

O período de entrada terá início às 12:00 (CEST) na quarta-feira 29 de maio de 2019 e será encerrado às 12:00 (CEST) na sexta-feira, 8 de novembro de 2019.

A competição é dividida nas seguintes categorias: 5 a 8, 9 a 12, 13 a 15 e 16 a 19.

É permitido somente uma inscrição por pessoa. Várias entradas de uma pessoa resultarão em desqualificação. As inscrições para pôsteres podem ser desenhadas, pintadas ou desenhadas com canetas, lápis, giz de cera ou carvão, ou com tinta a óleo, acrílica ou aquarela, além de mídia mista. Trabalhos artísticos criados digitalmente também são permitidos. Não são permitidas fotografias.

As entradas de pôster podem ou não incluir texto. Se o texto for usado, não serão aceitas mais de 25 palavras ou 100 caracteres. Todo trabalho artístico deve ser original e não deve incluir imagens fotográficas do participante ou outras informações pessoais.

Todos os participantes são incentivados a ler sobre o tema do Dia Mundial da Alimentação no Livro de Atividades do Dia Mundial da Alimentação (material em inglês). 

Os pôsteres só podem ser enviados usando o formulário de inscrição fornecido. Todos os campos no formulário de inscrição no concurso devem ser preenchidos e após o upload do design do pôster, clique no botão ENTER. As crianças mais novas podem precisar da ajuda de um adulto para fazer sua inscrição on-line.

É recomendável trabalhar em uma folha A4 ou em uma folha de 8 ½ polegadas por 11 polegadas, para facilitar a digitalização e o upload do design do seu pôster. Se o seu pôster for maior, talvez seja necessário tirar uma foto digital do trabalho e fazer o upload do arquivo.

Somente arquivos digitais salvos como JPEG serão aceitos e as submissões devem ser feitas através do formulário on-line fornecido – por favor, não envie pôsteres físicos.

Somente os participantes selecionados serão notificados por e-mail em dezembro de 2019.

Prêmios

15 pôsteres em cada categoria (60 pôsteres) serão selecionados para a lista restrita pelo comitê de seleção em dezembro de 2019. Os candidatos selecionados receberão um certificado por essa conquista.

Três designs de pôsteres vencedores serão selecionados como finalistas por um júri em cada categoria.

Os três principais designs de pôsteres em todas as categorias serão anunciados no site do Dia Mundial da Alimentação.

Os vencedores serão promovidos nas mídias sociais da FAO e pelos escritórios da FAO em todo o mundo.

Os vencedores também receberão um certificado de reconhecimento e uma sacola surpresa.

Caso algum dos vencedores selecionados de algum prêmio seja / não seja elegível de acordo com estas regras do concurso e / ou as Regras Gerais, Direitos Autorais e Privacidade, não possam ser rastreadas ou recusam o prêmio, o prêmio será perdido. e ficará a critério exclusivo da FAO optar por conceder o prêmio a outra inscrição qualificada.

Quando os pôsteres vencedores forem publicados, apenas o primeiro nome completo da família e o país de origem serão publicados. Nenhuma outra informação pessoal sobre os Participantes será publicada ou compartilhada.

FONTE: FAO.ORG

Uma porção de comida | lembretes culinários sobre chutney

Uma porção de comida | lembretes culinários sobre chutney

Frutas são, comumente, utilizadas no beneficiamento de alimentos em preparações doces. Geleias e compotas, por vezes, são as únicas possibilidades que pensamos quando nos deparamos com o excesso desses alimentos em casa.

Esse molho salgado abriu minha mente e paladar para encontrar novos sabores com frutas. O primeiro chutney que experimentei foi de manga. Pra mim que tenho preferência por pratos salgados a doces ou sobremesas foi uma grata aprendizagem a elaboração de chutneys no meu repertório culinário.

Uma criação indiana, chutney é um preparo a base de frutas ou legumes com muitos condimentos, pimenta e açúcar mascavo e vinagre. A palavra tem a mesma raiz que outras na língua persa que significa “uma porção de comida”. Uma porção de comida extremamente versátil que pode ser acompanhamento para petiscos ou molho para massas e recheios de pastéis ou assados. 

Com o desenvolvimento da linha de produtos ecológicos Nobis eu tenho me dado licença poética para misturar frutas e plantas alimentícias não convencionais nesse envolvente prato. Por que não utilizar mamão maduro em preparações salgadas? Não há preconceitos na minha cozinha e o mamão maduro foi base para o chutney de mamão com xique-xique (nome popular de uma espécie de cacto comestível).

Em São Paulo, simplesmente não encontrei mamão para refazer minha invenção. Também não encontrei nenhum lugar que pudesse coletar o cacto… Estaria minha produção perdida? Claro que não! A fruta mais barata que encontrei no mercado próximo a casa da minha amiga Alessandra (fundadora da Herbívora) foi o abacaxi. A ora-pro-nobis foi a companheira panc da vez para o novo preparo: chutney de abacaxi com ora-pro-nobis

Ao chegar em Porto Alegre, encontrei frutos de ora-pro-nobis e não muitas folhas. Quem está em abundância pela capital gaúcha é a bertalha linda que super ornou com o abacaxi que segue como fruta da estação nas regiões sul e sudeste.  

Hoje realizei uma oficina de preparações culinárias com no grupo de mulheres para geração de trabalho e renda na Aldeia da Fraternidade. Fizemos duas possibilidades de chutneys com mamão e abacaxi. Como essas são as últimas lembranças que tenho da receita, compartilharei os lembretes culinários para elaboração dessas preparações.

Lembretes culinários são memórias das etapas e ingredientes combinados para o desenvolvimento de qualquer receita. Eu não gosto de usar receita, tampouco gosto de passar receitas. Não porque eu seja egoistinha (aushuahush), mas porque eu mesma não sigo receita alguma ou anoto as quantidades certinhas de cada ingrediente nas comidas que faço. É o que eu chamo de culinária intuitiva, tenho vídeo falando sobre isso no canal amor do PorQueNão? – Mídia Interdependente. Chega de tagarelar, vamos aos lembretes culinários dos chutneys.

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Chutney de mamão com xique-xique

INGREDIENTES

1 mamão madura

5 ou 6 ‘mãos’ da palma

sal a gosto

suco de 1 limão

azeite de oliva

cebola roxa

alho

quantidade de água

pimenta do reino a gosto

páprica doce

PREPARAÇÃO

1. Descasque o mamão e o cacto

2. Corte em cubos pequenos

3. Aqueça uma panela com o azeite de oliva

4. Refogue os cubos de mamão e do xique-xique acrescentando os temperos

5. Acrescente água e tampe. Deixe ferver por alguns minutos, acrescente mais água

6. Acrescente o suco de limão

7. Envase 

DICAS

Você pode utilizar chimichurri como um dos temperos complementares nesta preparação

Utilize luvas para descascar o cacto, seus espinhos são bem pequenos e chatos de serem retirados da mão

Não se preocupe com a “baba” que surgirá na preparação, o cacto tem bastante viscosidade 

Não tenha pressa em apagar o fogo, quanto mais tempo ferver, mais os sabores se harmonizam

Chutney de abacaxi com bertalha

INGREDIENTES

1 abacaxi grande

bertalha

sal a gosto

suco de 1 limão 

azeite de oliva

cebola roxa

alho

quantidade de água 

pimenta do reino a gosto

açafrão

pimentão amarelo  

PREPARAÇÃO

1. Descasque o abacaxi

2. Corte em cubos pequenos

3. Corte a bertalha em tiras

4. Aqueça uma panela com azeite de oliva

5. Refogue a cebola roxa cortada em cubos pequenos, acrescente o alho e meio pimentão amarelo também cortado em cubos pequenos; acrescente a bertalha cortada em tiras

6. Acrescente o abacaxi cortado, refogue

7. Acrescente água e tampe. Deixe ferver por alguns minutos, acrescente mais água se necessário

7. Acrescente o suco de limão

8. Envase 

DICAS

Quanto mais maduro estiver o abacaxi melhor

Eu deixo ferver bastante mesmo. O bom são os pedacinhos se desmancharem em meio as borbulhas na panela

Você pode utilizar açafrão como tempero complementar dessa preparação

Fomes do Brasil: expressões sociais de uma doença global

Fomes do Brasil: expressões sociais de uma doença global

Bruna de Oliveira | 22 de julho de 2019

A declaração presidencial na última sexta feira, 20 de julho, é chocante mas não surpreendente. “Não se vê gente, mesmo pobre, pelas ruas, com físico esquelético”, foi uma das afirmações de Bolsonaro em café da manhã com jornalistas. Não é uma surpresa o despreparo teórico e prático da atual gestão federal brasileira. Também, não é surpresa a ignorância de representações políticas sobre desigualdades sociais, especialmente na área da alimentação. Exemplo disso, foi a declaração do prefeito de São Paulo em 2017 que pessoas pobres não possuem hábitos alimentares.

| Leia também: Pobres têm hábitos alimentares? |

O título desse texto é uma afirmação e uma provocação. Existem mais formas de manifestação da fome do que o senso comum nos ensina. Assim como, fome não se restringe a falta de acesso de alimentos em corpos esqueléticos perambulando pelas ruas. Mais uma vez, o senso comum (e preconceituoso) se coloca como empecilho para avanços em políticas públicas de alimentação e nutrição na garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada – DHAA. 

Esta é uma tese que eu defendo com firmeza: todo mundo passa fome no mundo. Não é preciosismo ou discurso populista a diferenciação das diversas fomes que pintam cenas alimentares dos povos no mundo. Você já pensou sobre isso?

Se afirmamos que a maioria das pessoas no globo passam fome hoje, você acreditaria? Por um lado você pode concordar, pensando que fome é sinônimo de apetite e/ou vontade de comer, todo mundo tem fome todos os dias. Este é um tipo de fome, é definido como fome aguda. Ok, até aí, tudo certo. Quando estamos com fome, abrimos a geladeira de casa ou vamos à uma padaria e saciamos nossa vontade.

Precisamos lembrar que não são todas as pessoas que possuem recursos para adquirir seu alimento. Nesse sentido, se uma pessoa fica com fome por muito tempo e/ou não sacia em quantidade suficiente seu apetite e necessidades biológicas de manutenção da vida, essa fome é chamada crônica. Existe ainda uma terceira hipótese com duas situações: eu tenho algum recurso para comprar comida, mas não o suficiente para consumir várias opções, ou; eu tenho recursos para comprar a comida que eu quiser e opto por consumir alimentos que não tomem muito do pouco tempo de uma rotina agitada e estressante em uma metrópole.

Essas duas histórias contam com um elemento em comum: uma alimentação não adequada. Hábitos alimentares monótonos e/ou em quantidade insuficiente para suprir necessidades nutricionais de uma pessoa gera o que estudiosos chamam de fome oculta. As fomes oculta e crônica são estados nutricionais que se desdobram tanto por um viés da desnutrição, quanto pode se expressar em subnutrição ou obesidade.

Três fotografias de um mesmo fenômeno, três fotografias que retratam as fomes do mundo. Quem dera que as lutas de combate à fome ocorresse apenas no âmbito da fome aguda! Assim, entramos em um “diálogo perigoso” como diria Josué de Castro, médico profeta que teve a ousadia de marcar a sociedade com seus estudos sobre fome no Brasil. Há 72 anos, em sua obra Geografia da fome, Josué demonstrou a influência dos fatores socioeconômicos sobre os fatores biológicos da nossa população, através da deficiência alimentar e da predominância de interesses privados sob os coletivos.  

A fome não se limita a uma enfermidade biológica, mas sim é uma doença social fruto da má distribuição de alimentos no globo; do sistema agroalimentar super mecanizado e dependente de agroquímicos, e; de uma indústria alimentícia preocupada no excessivo consumo de seus produtos, muitas vezes, não saudáveis. Em suma, a fome é um desdobramento social da forma como a cadeia de produção de alimentos opera hoje, embasada nos princípios do capitalismo corporativista, sistema político econômico que consome nossos dias.

É importante ressaltar que ambos os quadros (obesidade e desnutrição) são graves e evocam múltiplos olhares para o planejamento e execução de estratégias que em uma primeira instância os reduzam e – em melhores perspectivas – efetivem sua devida erradicação. Esse adoecimento generalizado é gerado em decorrência de inúmeros fatores, tais como o processamento de alimentos pela indústria alimentícia, o uso excessivo e descontrolável de agrotóxicos na agricultura e as monoculturas que massificam e monotonizam a alimentação das pessoas.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization) estima que cerca de 820 milhões de pessoas em todo o mundo não tiveram acesso suficiente a alimentos em 2018, frente a 811 milhões no ano anterior, no terceiro ano consecutivo de aumento (versão em inglês). Especialmente na América Latina e no Caribe, estima-se que a fome afeta 42,5 milhões de pessoas

Queda livre

Em 2014, o Brasil saiu do mapa da fome segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – Food and Agriculture Organization). Isso significa que menos de 5% da população brasileira ainda encontraram-se com seu direito ainda violado. Você pode entender como políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA; Política Nacional de Alimentação Escolar – PNAN; e, o fortalecimento do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA desde sua retomada em 2003 e posterior extinção neste ano. Acesse aqui o relatório que descreve as iniciativas brasileiras para combate à fome consideradas relevantes e replicáveis para outros países. Isso não é pouca coisa, ta okey? 

Lamentavelmente, em 2018, retornamos a esse diagrama que apresenta o prognóstico não positivo para a Segurança Alimentar e Nutricional deste paí. 5,2 milhões de brasileiros e brasileiras não tem o que comer todos os dias segundo este relatório.   

| Leia também: ‘Sem merenda: quando férias escolares significam fome no Brasil’ – BBC |

Preciso pegar um fôlego para continuar… são tantos elementos que explicitam a imensidão de direitos violados não somente de acesso à alimentos, mas em diferentes elos do sistema alimentar atual suprimidos pela avalanche da bancada ruralista e os defensores do agronegócio brasileiro.

Em 200 dias, o governo Bolsonaro autorizou o uso de mais de 239 agrotóxicos no mercado, isso é mais do que países europeus autorizaram ao longo de 8 anos. Há muitas pesquisas que apresentam os difíceis enredos enfrentados por agricultores familiares, trabalhadores rurais, povos e comunidades tradicionais. Depois do Dossiê Abrasco, a publicação mais recente que denunciam o impacto dos agrotóxicos no país é o Atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, de autoria da pesquisadora Larissa Lambardi. Os agrotóxicos fazem parte de um pacote tecnológico que mata diariamente, seja no campo, seja na cidade; seja a fome que for: pela falta ou pela contaminação; pela escassez ou pelo excesso artificial que passa deixando resíduos no organismo humano e planetário.

Todos passamos fome. Tão drástica quanto a inanição biológica é a cabeça vazia de uma consciência comunitária mínima que abre margem para práticas tão perversas este governo tem feito a este país.