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Brasília não é para fracos

Brasília não é para fracos

Ontem completei um ano morando na capital do nosso Brasil brasileiro. 😀 Minha gratidão a todos e todas que me amaram e acolheram nesse quadradinho!

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Brasília não é para fracos.
Mas também não é para fortes.
Brasília é para sensíveis.

Sabe aquela pessoa introspectiva, de poucas palavras mas super amorosa e generosa com aqueles que nutrem um vínculo próximo e sincero? Brasília é assim e somente aquelas pessoas que possuem sensibilidade o suficiente para transpor as barreiras iniciais desse território conseguem dizer: eu amo viver aqui.

Somente aquelas que conseguem criar caminhos nos espaços sem esquina. Aquelas que não ficam tontas com tantas tesourinhas, aquelas que se permitem curtir a brisa que sopra entre o Parque da Cidade e o Olhos d’água. Quem não se deixa enquadrar pelas quadras e aprende a construir pontes nesse território sem rio, mas com um lago maravilhoso!

Sortudas as pessoas que se aventuram a desbravar e perceber que aqui é um bom lugar para morar. Feliz, quem não se omite a dizer “oi” ou “bom dia” surpreendendo o motorista ou o cobrador de ônibus.

Brasília é para os sensíveis e os pacientes que se permitem plantar e aguardar germinar as boas amizades que o Setor Comercial Sul pode te dar. Ou, deixar-se acolher pelos/as hortelões/ãs, que, como lobos e lobas em suas alcateias, trabalham incessantemente para que além de viva, Brasília seja cada vez mais verde!

Não se enganem… não é qualquer verde! É o verde ecológico, sintrópico que produz água, cooperação e muito afeto. O verde agroflorestal que nos envolve a cada dia e nos leva a voar para fora do plano encontrando outros eixos em outros territórios, que de satélites não tem nada, são astros protagonistas de brilhar e conduzir muitos viajantes.

Brasília é muito amorosa e tem me ensinado diferentes formas de cuidado materializados com alguns “nãos” e “você pode melhorar”. Brasília é encantadora, Brasília é surpreendente.

Quantos anos mais tenho por aqui? Não sei… mas que eu siga nesse caminho de encontros e levezas, incertezas e oportunidades.

P.S: A foto foi tirada um dia desses, uma vista do meu quarto.

26 anos | sobre transbordar

26 anos | sobre transbordar

Hoje faz 10 dias que eu estou com 26 aninhoooos! E como eu sou uma empolgadinha com aniversários não posso deixar de compartilhar meus sentimentos em relação a esse fato! Como sempre, eu vivi de maneira muito alegre e festiva meu recomeço de ciclo. Acho que é assim que tem que ser mesmo, muita celebração e partilha pelas experiências que temos a cada volta completa que damos no sol. Eu sigo com aquele sentimento que não estou pronta para ser adulta, que não estou segura das coisas que tem acontecido, mas ainda assim, vou vivendo. Pensar que 26 é uma idade que está “no meio do caminho”: nem 20, nem 30, nem jovem, nem velho… é muito estranha essa constatação!

Pessoalmente falando, ser jovem adulta é muito mais difícil que ser adolescente. Porque você segue com a mente confusa, mesmo que menos impulsiva, mas agora é tu por ti, afinal, já “é alguém nada vida”, já é “gente grande”. Mas assim como ninguém te ensina a ser adolescente, ninguém te dá o caminho das pedras da vida adulta. Ninguém te avisa das inseguranças do cotidiano, dos conflitos que vão além do grêmio ou movimento estudantil e das idealizações da fase anterior que não se materializam. Como conseguimos, vamos trilhando caminhos, conhecendo novas paisagens e se acostumando com essa realidade diferente.

Tô chamando esse meu momento de solitude compartilhada. Estou com todos, mas estou comigo mesma. Estou na teia da vida e vou dançando as músicas do ambiente, mas tem algo em mim tocando também. O legal disso, é que talvez eu sempre tivesse uma canção interna, uma melodia só minha, mas eu não conseguia distinguir e achava que dançar com os outros a música dos outros era seguir o meu ritmo. Que doce descoberta ouvir os meus ecos, me movimentar com os meus tons e perceber que ao me deixar conduzir por essa dinâmica eu não estava me descompassando do(s) espaço(s) que eu pertenço. E não somente não estou fora da sincronia como consigo deixar mais plural toda a cantoria.

Com 26 anos eu estou vendo a beleza da solitude, a beleza de reconhecer os meus compassos e a beleza de, nesse processo, transbordar. Que essa sinfonia siga pulsante por mim, por meio de mim, com os outros e para o outros. Que eu celebre os muitos transbordes de todos e todas que me cercam e que nunca falte música para conduzir nossas histórias.

Somos analfabetos

Somos analfabetos

Somos analfabetos
Não valorizamos os ciclos dos seres
Desconhecemos a linguagem dos solos
Não fluímos na teia da vida

É tempo de ecoalfabetizar
Desmitificar a falsa ideia de desconexão
Reconhecer que somos tão pó quanto o pó
E a forma da nossa relação no ambiente

É tempo de ecoalfabetizar
Identificar quais os ventos trazem chuva
Conhecer flores de hortaliças
Conversar com a diversidade de fauna e flora

É tempo de ecoalfabetizar
Perceber-se como parte do todo
Interagir de forma integrada ao sistema
Envolver-se na plenitude da natureza

É tempo, e na verdade… já passou.

Revolução orgânica e gentil

Revolução orgânica e gentil

Hoje foi a celebração de um aniversário e um lindo processo que se inicia. Aqui em Brasília, sigo com minha motivação e atuação em defesa da repopularização das PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) pelo Other Food e ainda, recebi a graça de conhecer três iluminadas para seguir nessa caminhada por meio do projeto ainda em formação (aguardem as novidades!!!!!) ReFazenda.

A cada momento como esse, eu confirmo que estou vivendo uma linda história, cheia de pessoas que sonham tanto quanto eu e acreditam nas pessoas. A maior maluquice que uma pessoa pode fazer na vida é confiar em mim (hehehehehehe), assumo minha essência pirada de querer abraçar um mundo com duas pétalas de flor.

Sim, outra alimentação é possível, outra forma de relação de trabalho é possível, outros vínculos com nossos irmãos e irmãs dessa Terra é possível. Podemos viver uma conexão com a natureza genuína, ressignificando o que consideramos “normal”, “convencional”, “legal”. Podemos ressignificar nossos rituais sociais e nossas práticas para materializar um ambiente de respeito e cuidado com a natureza e nosso/a próximo/a.

Hoje me encantei com um PANCNIQUE aniversário. Me emocionei com uma surpresa de aniversário. Me empolguei com tudo que consegui realizar com esse tipo da foto. Layse, obrigada por confiar numa pirada, comprar essa ideia das PANC e nos oportunizar um oceano de aprendizagens profissionais e pessoais.

Layane, Daniela e Mayara, nós podemos muito. Que lancemos esperança no coração de muitas pessoas e que essa sinergia ressoe territórios a fora para as transformações que nós acreditamos serem possíveis de concretizarmos.

Uma revolução orgânica e gentil porque não tem luta sem poesia e ternura.