Um resumão sobre as PANC

Um resumão sobre as PANC

Esse texto estava guardadinho na gaveta (mentira, na nuvem! kkkkk) aguardando um momento oportuno para ser publicado. =) Foi o primeiro texto que escrevi com um grande amigo, Guilherme Raniere que é meu amado “guru” PANC. Gestor Ambiental, também está na vida de mestrado como eu e é dono do blog Matos de Comer. Esperamos que apreciem esse resumão que vai ajudar iniciantes nas aprendizagens sobre as PANC. <3

Começando pelo começo

Elas podem estar em qualquer lugar: calçadas de ruas, pelas praças, ruelas, rachas de muros, canteiros de estacionamento ou terrenos baldios. Você passa por elas e nem as percebe, contudo, elas poderiam estar na sua geladeira compondo as opções vegetais das suas refeições!

Afinal, será que consumimos todas as plantas que temos à disposição, pensando na enorme biodiversidade alimentar que nosso país contém? Quando falamos sobre biodiversidade, pensamos em todas as plantas comestíveis que existem, sejam folhas para saladas, frutos saborosos, sementes, castanhas, cereais, ou ainda plantas produtoras de essências, de óleos comestíveis, de açúcares e até mesmo de seivas potáveis.

Para essa biodiversidade alimentar que poderíamos utilizar mas não utilizamos, há um termo bastante usado desde 2007, PANC – plantas alimentícias não convencionais. O termo “alimentícias” entra com um sentido diferente de “comestíveis”, porque comestível é tudo aquilo que consumimos diretamente, enquanto alimentícias são coisas que derivam em alimentos. Por exemplo, plantas que dão origem a óleos, farinhas, essências, açúcares ou chás não são necessariamente comestíveis in natura, mas consumimos derivados delas.

Quando usamos o termo planas comestíveis ou PANC nos referimos a plantas ou partes de plantas que entraram em desuso na alimentação das populações por inúmeros fatores, principalmente por não serem produzidas com o fim de comercialização em grande escala. Dessa forma, estamos nos referindo a plantas, muitas vezes, difíceis de serem encontradas em um mercado ou feira, mas que podem ser adquiridas em caminhadas, parques e até mesmo diretamente com o produtor. Já pensou colher sua salada no caminho de casa?

Temos partes de plantas conhecidas, como as folhas da beterraba, da batata doce e da cenoura, mas ainda a banana verde, que rende polpa e farinha, o mamão verde, consumo como chuchu, e até mesmo os brotos da abóbora e do chuchuzeiro, consumidos como couve ou espinafre. Porém, existem muitas plantas que são pouco conhecidas ou consumidas apenas em certas regiões, como o mangarito, a taioba, o ora-pro-nobis, o ariá, a bertalha e a serralha.

 

Plantas ruderais

Muitas dessas plantas por fim, são chamadas ruderais ou espontâneas, ou seja, são aquelas que surgem sem serem cultivadas, trazidas pelo solo, pela chuva, pelos pássaros ou mesmo por outros humanos. Muitas dessas plantas que surgem em jardins calçadas e plantações e são consideradas daninhas ou matos são, na verdade, plantas comestíveis, nutritivas e deliciosas, que poderíamos consumir, mas jogamos fora. Para facilitar o entendimento do termo ruderais ou espontâneas, pense o seguinte: você já viu um pé de alface nascendo sozinho, sem ter sido semeado? Um pé de couve nascendo no meio da rua? Provavelmente nunca, né? Isso porque são plantas que dependem do homem e de condições específicas para se desenvolverem. Já esses matos comestíveis, não, nascem em qualquer lugar e de forma espontânea.

Essa nomenclatura de “ruderais” refere-se a espécies adaptadas a muitos ambientes,  apresentando capacidade de crescer em condições adversas. Desta forma, pode-se pensar que muitas plantas comestíveis são ruderais; entretanto, nem toda a ruderal é comestível, havendo muitas ruderais não comestíveis e até mesmo tóxicas.

As plantas comestíveis ruderais são plantas encontradas em diversos locais devido a sua reprodução espontânea e grande adaptação. Por essa capacidade que as elas possuem de crescer em condições adversas, são consideradas pelos agricultores como tolerantes a estresses e mais resistentes à seca e a solos pobres, ajudando os agricultores a diversificar sua produção e pensar em espécies mais resistentes em relação aos riscos das alterações climáticas e possível perda da produtividade. Em último lugar, mas não menos importante, destacam-se suas potencialidades nutricionais! Conforme estudos bioquímicos indicam, muitas dessas plantas apresentam teores de nutrientes, como vitaminas e minerais, muito superiores aos das plantas comestíveis disponíveis.

 

Diferentes nomenclaturas

No mundo, desde o final dos anos 1990, autores como Eyzaguirre et al. (1999) e IPGRI (1996), utilizavam termos como espécies subutilizadas e espécies negligenciadas (NUS – Neglect and Underutilized Species). NUS é uma expressão abrangente, podendo incluir qualquer animal ou vegetal que seja comestível. A Bioversity International em uma nota informativa menciona que NUS são “também conhecidas como culturas menores ou ‘órfãs’, que podem ajudar a lidar com problemas globais tais como a redução da fome e da pobreza, e as alterações climáticas” (tradução nossa).

No mundo, existem ainda outras nomenclaturas, como por exemplo “edible weeds” (matos comestíveis), “unconventional food plants” (plantas alimentícias não-convencionais), “quelites” (termo genérico para “folhas comestíveis silvestres”), “wild food plants” (plantas comestíveis não-cultivadas) e “malezas comestibles” (daninhas comestíveis). Dessa forma, existem muitas nomenclaturas aceitas internacionalmente, e PANC é uma delas, mais comum no Brasil.

O termo e seu acrônimo, PANC, foram criados por um pesquisador brasileiro em 2007, unificando diversos termos que se referiam à mesma categoria de plantas. Essas plantas são, por definição, “plantas que possuem uma ou mais das categorias de uso alimentício mesmo que não sejam comuns, não sejam corriqueiras, não sejam do dia a dia de grande parte da população de uma região, de um país”.  Contempla, assim, “todas as plantas que tem uma ou mais partes ou porções que pode(m) ser consumida(s) na alimentação humana, sendo elas exóticas, nativas, silvestres, espontâneas ou cultivadas”.

Em função dessa ampla abrangência conceitual, o critério para considerar uma PANC é muito subjetivo: vegetais em sua maioria de reprodução espontânea e que não exigem esforços para seu cultivo, não estão inseridas na cadeia produtiva e não apresentam interesse comercial às empresas de sementes, fertilizantes ou agroquímicos – é o que nos orienta o Manual de hortaliças não convencionais, elaborado em 2010 pelo Ministério da Agricultura. Vale lembrar que, caso uma espécie passe a ser produzida, comercializada e conhecida pela população, passando a ser tão comum como a banana, a alface, o feijão ou a cebola, ela deixa de ser considerada uma planta não convencional, deixando de ser chamada de PANC para ser chamada de espécie convencional. Isso é ruim? Não, isso é ótimo, significando que muitas pessoas tem acesso a ela e que ela está finalmente chegando à mesa dos brasileiros.

 

Pra fechar a prosa

Estamos falando de muitas, muitas espécies! Na realidade, estamos falando de tudo aquilo que é comestível, mas não está a venda. Existem algumas iniciativas que contribuem para que elas voltem a ser conhecidas e consumidas já que estas plantas trazem muitos benefícios para a saúde das pessoas e podem ser preparadas de diversas formas. Muito mais que uma tendência gastronômica, as PANC também podem ser uma ação estratégica para complementação alimentar de pessoas que ainda hoje não tem acesso contínuo e permanente a alimentos de qualidade e que fazem bem à saúde. Uma saída para transpor a fome, uma saída para inclusão social por meio de geração de trabalho e renda.

 

Espero que com a sessão Tudo Mato eu possa te ajudar a  reconhecer algumas delas, conhecer um pouco da história delas na alimentação humanas e também saber segredinhos de como prepará-las. Tudo isso para provar que outra alimentação é possível e não somente isso, para mostrar que alternativas de combate as fomes do mundo são possíveis com o cultivo e consumo dessas lindezas!  Se você leu até aqui, não custa nada compartilhar esse texto, né? Conte para todo mundo sobre essa novidade revolucionária de tornar o mundo mais nutrido, solidário e sustentável! 🙂

Sustentabilidade é o fim.

Sustentabilidade é o fim.

A explicação mais usual e enxuta para definir o termo sustentabilidade afirma que é um processo para satisfazer as necessidades de uma geração sem diminuir as perspectivas das gerações futuras de fazer o mesmo. O entendimento geral sobre o tema, o conhecido “senso comum” expresso em propagandas das empresas e organizações, textos em blogs e sites, bem como demais espaços que trabalham nessa temática podem fortalecer em nós a ideia que sustentabilidade é um meio para alcançar um mundo melhor (senão melhor, com recursos naturais o suficiente) para nós e os próximos que virão. Bem, quero compartilhar com vocês sobre a recente descoberta que fiz onde, na verdade, a sustentabilidade é o fim de múltiplos processos na teia da vida.

A expressão “Teia da Vida” não é minha, ela dá o título de um dos livros escritos pelo físico Fritjof Capra publicado no ano de 1996. Colando parte da sinopse do livro: “A Teia da Vida apresenta novas e estimulantes perspectivas sobre a natureza da vida e abre caminho para a autêntica interdisciplinaridade”. É verdade! Essa leitura está sendo muito importante e por isso que nesse no texto, trarei as ideias de dois capítulos deste livro, Alfabetização Ecológica e Ecologia Profunda, relacionando-os com um conceito que também estou aprendendo nesses dias que é o Ecofeminismo.

Dando um passo atrás para traçar nossa linha de raciocínio eu questiono: Por que a sustentabilidade pode ser considerado fim e não meio? Quando ouvimos alguém dizer: “precisamos nos reconectar com a natureza”, o que isso significa? Qual o sentido dessa reconexão? O que é estar conectado? O paradigma da Ecologia Profunda nos sugere que essa “reconexão” é o reconhecimento que integramos a natureza em sua totalidade, que não estamos alheios ou a parte dos ecossistemas que formam nosso planeta, somos integrantes intrínsecos de todos os fenômenos naturais da Terra. Querendo ou não, percebendo ou não, desde que nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos estamos conectados e aí caí por terra pensar que precisamos nos “reconectar”.

Essa percepção sobre profundidade (Ecologia Profunda) diz respeito não há uma análise rasa, ou seja, centrada nas relações humanas com o meio ambiente; mas sim, na rede de processos que estão fundamentalmente conectados e dependentes entre si. Do microrganismo que vive no solo ou no oceano até sua escolha por uma marca ou outra de sabonete líquido existem fios conectores, que se relacionam e geram desdobramentos para o sistema global. Apesar da crescente “onda ambientalista” nas sociedades, ainda estamos vivendo uma ecologia rasa que se expressa na visão de mundo e no modo de vida das pessoas centradas em si mesmas e achando que devem “salvar o mundo das cáries” (ou da poluição). A visão de mundo da nossa sociedade contemporânea é construída por valores fundamentais que orientam e norteiam práticas individuais e coletivas, retroalimentando um ciclo descompassado com os ciclos e padrões da natureza. Os impactos e prejuízos desse anticiclo são experienciados todos os dias com a destruição da biodiversidade de fauna e flora dos biomas, as catástrofes climáticas, as crises energéticas, o excesso de resíduos e toxicidades nos solos e oceanos… você pode pensar em muitos mais problemas do que os citados aqui.

Um exemplo aleatório: só aprendemos a ler e escrever quando entramos em contato com as letras, as sílabas; quando nos apresentam sentidos que cada conjunto de fonemas representa; quando nos orientam que o conjunto de vários códigos combinados formam uma gramática, um instrumento de comunicação que permite que essas formas de linguagens se manifestem. Na lógica de ampliar nossa compreensão de pertencimento à natureza não é diferente, precisamos ser alfabetizados, precisamos aprender a forma como os elementos da natureza interagem e geram seus fluxos e constroem a vida. A metáfora da teia que nos acompanha neste caminho, se desenvolve a partir de múltiplas relações humanas e não humanas que formam comunidades ecológicas. Essas comunidades, especialmente as não humanas tem muito a nos ensinar, a sabedoria vinda da natureza “é a essência da eco-alfabetização”, afirma Capra.

Esse caminho de leitura da natureza pressupõe uma aproximação de alguns princípios básicos da ecologia, como por exemplo, a interdependência, a reciclagem, a parceria e a diversidade. Até aqui, trouxemos bastante o princípio da interdependência existente entre as relações de vida na teia. Abordar cada um dos princípios deixaria meu texto muito extenso e teremos muito tempo para compartilhar bastante sobre cada um deles em outros momentos. Assim, destacarei mais um dos princípio citados que considero pertinente neste contexto da escrita, o da reciclagem. Os processos da natureza são cíclicos são formados por seres vivos e suas ligações, estas ligações são pontos da rede. Os seres vivos vão gerando produtos e resíduos que são consumidos por outros seres em outros pontos da rede, jogando para outro ponto em seguida e assim nosso planeta foi produzindo vida há milhares e milhares de anos. Essa reciclagem de matéria orgânica e inorgânica formam e reformam os relevos, as paisagens e a vida em sua totalidade, é um sistema que pode ser considerado fechado.

A humanidade, especialmente com o advento da industrialização e do consumo de combustíveis fósseis, por exemplo, pratica há décadas sistemas abertos de produção e reprodução da vida. Chama-se sistema aberto porque são processos unilaterais, geram resíduos que mesmo chegando em outro ponto da rede não seguem o fluxo de ciclagem, não são consumidos por outros pontos da rede, se estocam pelas realidades. Não são reformados mas formam, contribuem na construção de espaços inóspitos, difíceis de reproduzir diversidade biológica, outro princípio importante para manutenção da vida.

Por que estou escrevendo tudo isso? Porque percebo que a narrativa de sustentabilidade que temos hoje é rasa. Existem inúmeras empresas que querem te atrair como consumidora em nome da sustentabilidade; existem inúmeros sites, blogs e programas de televisão que te ensinam ações práticas em nome da sustentabilidade. Minha intenção neste texto é encorajar as leitoras a pensar além disso. É para além do consumo de A ou B, é sobre a forma como isso é produzido. Não é sobre fazer uma horta ou um shampoo natural, é sobre de onde vem os insumos para realização da minha horta ou confecção do meu produto de higiene pessoal. E não é somente sobre todas as coisas que eu uso, mas sobre os resíduos que os meus usos geram nos ecossistemas que eu integro. Não estou dizendo que devemos voltar a idade da pedra, ser coletores e usar pele de animais como roupas. Mas estou sim, dizendo que precisamos questionar nossas práticas e, de maneira dialética, transformar tanto nossas ações quanto nossa forma de ver as dinâmicas da natureza e como as integramos. Para viver os princípios da ecologia que tem como fruto a sustentabilidade, precisamos questionar, precisamos nos eco-alfabetizar.

Por último, mas não menos importante, quero trazer brevemente as contribuições do ecofeminismo para fechar nosso pensamento. Existe um texto muito completo sobre o tema publicado em 2006 na Revista Espaço Acadêmico. Ele traz não somente quais foram as fases desse movimento até aqui, como faz uma contextualização histórica (bem antiga lá dos povos Celtas, Wikings, etc e tal) sobre a construção do gênero feminino e sua relação com a natureza e como essa relação foi distorcida e banalizada, bem como ambas as partes integradas (mulheres e meio ambiente) foram subjugadas e dominadas pelo capitalismo e o patriarcado. Há divergências em relação às abordagens e análises entre as fases do ecofeminismo. O fato é que a mulher, historicamente ocupa um papel fundamental na preservação da biodiversidade natural, no cuidado com a terra e os seres vivos, sejam eles animais, plantas ou prole. O ecofeminismo, em suma, busca a mobilização e articulação das mulheres pelo fim da inferiorização da mulher em relação ao homem e pelo fim da destruição da natureza através de guerras, poluição e reprodução dos processos anticíclicos já mencionados. Inclusive, Capra afirma que se os homens desenvolvessem, minimamente, as competências e a práxis das mulheres no cuidado com a Terra, não estaríamos nesse colapso socioambiental que nos encontramos.

Eu prefiro acreditar que, felizmente, as mulheres têm em si essa tendência autodidata à eco-alfabetização. Me alegro em pensar que sim, são as mulheres que não só geram vida como também possuem a potencialidade de preservá-la, guardá-la e cuidá-la. Obviamente não estou dizendo com isso que homens não tenham suas responsabilidades e dívidas históricas com Gaia, o que estou fazendo é valorizando uma práxis que foi protagonizada por mulheres ao longo do tempo que colocam algum saldo positivo na balança da humanidade. Queridas, se você não se achava feminista porque “só queria cuidar do meio ambiente” ou “lutar pela liberdade animal” ou “ combater a fome no mundo” ou “salvar as água do rio x ou z” saiba que você é sim uma revolucionária feminista, no campo ou na cidade. É essa alfabetização ecológica, e não somente ecológica, mas profundamente ecológica (sim, escreverei três vezes a mesma palavra em um parágrafo kkkkkk) totalmente perpassada pelo ecofeminismo que gerará a sustentabilidade que tanto buscamos.

Não salvaremos o meio ambiente, precisamos apenas entrar nos ciclos, viver os princípios das comunidades ecológicas. Sim, eles estão bagunçados. Nós os bagunçamos porque somos analfabetos. Sim, levará um bom tempo para o sistema conseguir reencontrar seu equilíbrio e retomar seus fluxos de forma não degradada. Isso é reparação, não é sustentabilidade, a sustentabilidade é um fim, mesmo que constantemente dinâmico e fluído na busca do equilíbrio em meio ao caos (que também é constante /o\), é um estado de bem viver sistêmico da Terra que, por acaso, nós humanos estamos incluídos.

Referências:

CAPRA, F. A Teia da Vida. Editora Cultrix. São Paulo, 1996.

ANGELIN. R. Gênero e meio ambiente: a atualidade do ecofeminismo. Revista Espaço Acadêmico. 2006. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/058/58angelin.htm>. Acesso: 29/12/16.

Bruna PANC – Como tudo começou.

Bruna PANC – Como tudo começou.

Minha aproximação com as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC)  iniciou em meados da graduação na disciplina de Alimentos e Ambiente no ano de 2011 com uma professora que admiro muito, Signorá Konrad. O assunto não era difundido como hoje. As referências que eu tinha eram as publicações compartilhadas pela professora, os trabalhos de conclusão de curso que ela orientava na faculdade e as publicações do professor Valdely Kinupp, na época, sua tese de doutorado e um resumo expandido em um evento científico.

Claro, já existiam algumas referências internacionais, que referiam-se às PANC como NUS – Neglected and Underutilized Species (Espécies negligências e subutilizadas). Essa nomenclatura internacional era a adotada pela professora Sig nas aulas, ela apresentava uma abordagem político social que contemplava muito minhas motivações para ter ingressado na nutrição: o combate à fome e a mitigação da pobreza.

As PANC despertaram em mim um renovo para seguir na graduação e querer ser nutricionista. Iniciei um trabalho de educação alimentar e nutricional na ONG que trabalhava na Ilha das Flores, no município de Porto Alegre. Por cerca de 12 meses, fiz algumas trilhas de reconhecimento das PANC que eu conhecia com as crianças que participavam das atividades de contra turno oferecidas pela instituição; Busquei ajuda para iniciar e prospectar uma horta comunitária com cultivo dessas plantas no terreno do prédio; Fiz uma articulação com um grupo de extensão da UFRGS que trabalhava também com as PANC, ervas medicinais e fitoterápicos na Ilha da Pintada, também no bairro Arquipélogo, Porto Alegre/RS. Em parceria com esse grupo, que era supervisionado pela professora Gema, realizamos uma feira na sede da associação dos pescadores da região, levamos as PANC e trabalhos artesanais desenvolvidos pelas mães que participavam com seus filhos nos projetos da ONG.

Na universidade, compunha o escopo de práticas das disciplinas Alimentos e Ambiente e Tópicos Avançados a realização de feiras de trocas de sementes crioulas e biodiversidade. Participei ativamente dessas tarefas porque realmente me sentia contemplada pela abordagem trazida em relação a esses alimentos. As aprendizagens nas aulas somadas ao território que trabalhei contribuíram bastante para consolidar em mim que trabalhar com as PANC era (e é!) uma estratégia eficaz de combater a fome e a pobreza, pelo menos, ajudar em suas reduções.

O tempo passou e, em setembro de 2014, quando fui apresentada ao desafio internacional Thought For Food (TFF Challenge), que tem como objetivo estimular o empreendedorismo jovem na temática de segurança alimentar de forma a combater a fome do mundo, desenvolvendo projetos que busquem solucionar a questão: “Como alimentar 9 bilhões de pessoas até 2050?”, reconhecendo os problemas hoje vividos no setor de alimentos. Não pensei duas vezes: as PANC eram (e são!) uma solução possível. Em dezembro do mesmo ano nascia o Other Food, projeto criado para participação neste desafio, com o objetivo de repopularizar as PANC tanto na produção quanto no consumo para combater as fomes do mundo. Sim, nós (porque o projeto não foi concebido apenas por mim) acreditamos que existem múltiplas expressões de fomes no mundo e com o endossamento de referências científicas, destacamos as fomes crônica e oculta como problemas societários que precisam ser transpostos.

Para felicidade do grupo, tivemos grandes conquistas enquanto movimento. Apesar de não ficarmos entre as equipes finalistas no desafio, foi-nos dada a oportunidade de participar do evento Global Summit Thought For Food em Portugal. Essa conferência era composta por workshops na temática de segurança alimentar e a etapa final do desafio com apresentação dos dez projeto finalistas onde os três melhores recebem prêmio em dinheiro para dar continuidade à iniciativa. Se existia dúvida que o Other Food continuaria, depois dessa experiência não havia mais nenhum resquício, nosso projeto seria algo para a vida.

2014 foi um ano importante para as PANC, houve o lançamento do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas, do professor Valdely Kinupp em parceria com o Harry Lorenzi da editora Plantarum. O lançamento ocorreu no final deste ano, quase que paralelo aos nossos (Other Food) primeiros passos nessa vida “pancqueira”. O livro, fruto de quase dez anos de pesquisa sobre as plantas, apresenta suas características morfológicas, composição nutricional, outros tópicos importantes de localização e forma de preparado.

Quando voltamos da experiência da conferência, os holofotes da universidade que estudávamos estavam voltados para o nosso projeto. Inicialmente, foi ótimo, precisávamos de visibilidade para encontrar parceiros que pudessem nos ajudar nas etapas para realização do projeto. Com o tempo, percebemos que era mais difícil do que parecia, trabalhar com desenvolvimento comunitário com o objetivo de combater fomes nos territórios onde o Other poderia estar presente sem receber o estigma de terceiro setor. A verdade era que nosso projeto possuía ambiciosos objetivos e ingenuidade nos atores que se propunham a executá-los. Mesmo em dificuldades, o projeto segue acontecendo por meio de atividades em escolas, oficinas culinárias, rodas de conversa e comercialização de produtos. Em outubro deste ano, o Other completa 3 anos de muitas aprendizagens e realizações.

Entre 2015 e 2016, ajudei no desenvolvimento de uma plataforma online para mapeamento das PANC. A inciativa, chamada Ka’ae´té, significa “mato verdadeiro” em Guarani e tem por missão (além do próprio mapeamento) criar uma base de conhecimento livre sobre plantas alimentícias não convencionais que incentive e resgate a cultura de consumo desses alimentos como uma estratégia para o combate a fome por meio de uma rede de conexão entre produtores e consumidores numa dinâmica de economia social e criativa.

Atualmente moro em Brasília e continuo esse trabalho de repopularização dessas plantas. Fui gentilmente acolhida em uma iniciativa local chamada ReFazenda, empreendimento criado por três mulheres do curso de Ciências Ambientais da UnB. Não somente “outra alimentação é possível” (slogan do Other Food), como “resgatando tradições, colhendo diversidade” passou a ser meu mais novo lema para as práticas de divulgação e formação coletiva sobre as PANC. Outra oportunidade maravilhosa que estou começando a viver são as aulas no mestrado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural na Universidade de Brasília no campi de Planaltina. Pra mim está sendo duplamente significativo cursar essa pós graduação, uma porque desejo seguir na área da pesquisa e/ou ser docente em alguma universidade que aceite minhas maluquices; duas, porque seguirei nesse caminho de descobertas destas plantas na minha dissertação, com o foco nos usos e saberes culinários das PANC em território quilombola. Essa é um vislumbre inicial da escrita do projeto, com mais tempo poderei abordar melhor as questões e inquietações dessa pesquisa.

 

E esse é um breve resumo da minha história com essas queridas! Essa temática é tão especial pra mim que tem uma categoria própria de conteúdo no site, “Tudo Mato!”. Pra você que está lendo pela primeira vez e não entendeu muita coisa dessa sigla tão mencionada ao longo texto, não se preocupe que no decorrer das postagens eu explico tudo. Esse registro apresentou seis anos de descobertas minhas e tenho certeza que há ainda muito mais para aprender! Sigamos! <3

Postagem de boas vindas! =)

Postagem de boas vindas! =)

Oi, geleris! Tudo bem?

Estou radiante com esta primeira postagem! Primeiro, porque depois de muito (muito!) tempo eu resolvo retornar a vida de escrever num espacinho aconchegante; segundo, porque este lugar não é qualquer lugar, enfim um site onde posso compartilhar minhas vivências profissionais, meus devaneios pessoais e conteúdos que considero importantes de serem divulgados nas temáticas que perpassam meu dia-à-dia.

Eu sempre gostei de escrever: tive diário dos 13/14 anos até aos 19, só parei de escrever nesse formato porque não estava conseguindo conciliar essa tarefa com as demandas da faculdade. Nesse meio tempo também já tive alguns blogs onde compartilhava aprendizagens, experiências e momentos marcantes durante as diversas fases que me formaram enquanto pessoa. Tenho bastante orgulho desses espaços, que registram meus passos, todos essenciais para a construção do Crioula.

Para quem tiver curiosidade, meus dois blogs anteriores ainda estão abertos. Não tenho coragem de deletá-los porque olhar para eles é olhar para um passado gostoso que vivi com muita alegria. São espaços com naturezas bem diferentes entre si: o primeiro, Verdadeira essência, são reflexões dentro das minhas vivências religiosas ou desenvolvimento da minha espiritualidade no contexto cristão protestante; o segundo, Borbulha de Ideias, são registros de outras dimensões da minha vida que ganharam relevância ao longo da caminhada universitária.

Por que Crioula?

A ideia deste nome surgiu quando eu decidi que queria voltar a escrever em um blog. Como esse desejo voltou após minha formatura em nutrição, considerei que seria muito bacana se eu pudesse ter um espaço profissional para compartilhar inúmeros assuntos que eu fui garimpando ao longo da graduação. Isso tudo, para compor uma formação que viesse ao encontro do que me levou realizar esse curso de graduação: combate à fome e mitigação da pobreza. As temáticas de Segurança Alimentar e Nutricional, Direito Humano à Alimentação Adequada e Agroecologia foram me inspirando e compondo a base para minha prática profissional.

Ainda assim, as pessoas não são constituídas apenas pela sua caminhada “formal” na educação, somos seres complexos e compostos de inúmeras dimensões que nos transformam a todo o instante! Por mais óbvio que possa parecer, eu sou uma jovem mulher negra. Isso parece óbvio, mas esse reconhecimento para além da aparência física foi (e é) um processo recente e muito significativo pra mim. Essa consolidação da minha consciência negra também é um tema de extrema importância no meu cotidiano.

Na agroecologia, usamos o termo “crioula” para denominar uma semente que é cuidada e mantida por comunidades tradicionais do campo e/ou povos ancestrais e originários, a saber, agricultores/as familiares, assentados/as da reforma agrária, quilombolas e indígenas, respectivamente. Essas sementes carregam em si a riqueza da diversidade da natureza e muito saber popular acumulado e partilhado de geração em geração.

O termo crioulo também foi empregado, aqui no Brasil, para denominar descendentes de africanos nascidos e criados aqui, e, por extensão, negros. Esse segundo significado não é um termo comumente utilizado, certamente pela carga história do processo de escravização do povo negro em nosso país.

Crioula se apresentou para mim como um conceito que se expande a partir das duas principais vertentes que me formam: uma nutrição socioambiental e a busca por vivenciar em profundidade e plenitude minha identidade negra, minha ancestralidade essencial tão negligenciada e invisibilizada na sociedade.

O que esperar da Crioula?

 

// Textos longos | Objetividade passa longe de mim, por mais que eu tente reduzir meus pensamentos, essa é uma tarefa bem difícil pessoalmente falando. Quem sabe o tempo e a prática aqui me ajudem a sintetizar minhas borbulhas.

// Nutrição fora do jaleco | Eu nunca quis ser nutricionista para calcular quantidade de nutrientes e/ou formular dietas para a galera, também não me atraí ficar falando de doença. O foco aqui é criar pontes da Nutrição para todos os campos de saber possíveis: economia, antropologia, geografia, agronomia… Vamos transitar pela transdisciplinaridade e ver onde chegamos!

// Consciência Negra | Este site é só para negras/os, Bruna? Não, este site é para todo mundo que “bota fé” nos assuntos que eu compartilharei aqui. Contudo, irei sim destacar iniciativas, pessoas de referência, movimentos, conteúdos e tudo mais que tiver do povo negro porque considero necessário conhecer a pluralidade cultural e étnica no nosso país, isso ainda não acontece na potência e velocidade que poderia. Eu demorei bastante tempo para encontrar mulheres negras nutricionistas que eu pudesse admirar e seguir os passos. E quero poder contribuir para o fortalecimento de manos e manas que não encontram espaço para divulgar seus trabalhos ou encontrar experiências que os inspirem. Vamos desbravar juntos essa ancestralidade africana que perpassa mais de 50% da população brasileira? o/

// Emancipação alimentar | Eu acredito que alimentação pode mudar o mundo! Isso porque ela é um fenômeno estrutural para manutenção da vida e a partir dela se desdobram inúmeros processos culturais, políticos e econômicos que passam despercebidos na nossa rotina corrida. Comer é um ato político, cultural, econômico, e também, biológico. Comer é lindo e a forma como comemos é tanto um reflexo das nossas relações cotidianas quanto traz implicações no ambiente que nos cerca.

Em suma, meu desejo é que cada leitor/a curta passar tempo nesse espaço lendo (e sugerindo) os conteúdos do site tanto quanto eu no processo de criação e escrita. Que seja uma contínua e alegre partilha de saberes, anseios e inspirações. São muito sonhos, uma constante borbulha deles, mas tenho certeza que será uma aventura empolgante! Sejam muito bem vindas/os ao Crioula, entre, não repare a bagunça e traga sua essência para compartilhar e sermos juntos algo mais colorido pelo caminho da vida. <3

Brasília não é para fracos

Brasília não é para fracos

Ontem completei um ano morando na capital do nosso Brasil brasileiro. 😀 Minha gratidão a todos e todas que me amaram e acolheram nesse quadradinho!

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Brasília não é para fracos.
Mas também não é para fortes.
Brasília é para sensíveis.

Sabe aquela pessoa introspectiva, de poucas palavras mas super amorosa e generosa com aqueles que nutrem um vínculo próximo e sincero? Brasília é assim e somente aquelas pessoas que possuem sensibilidade o suficiente para transpor as barreiras iniciais desse território conseguem dizer: eu amo viver aqui.

Somente aquelas que conseguem criar caminhos nos espaços sem esquina. Aquelas que não ficam tontas com tantas tesourinhas, aquelas que se permitem curtir a brisa que sopra entre o Parque da Cidade e o Olhos d’água. Quem não se deixa enquadrar pelas quadras e aprende a construir pontes nesse território sem rio, mas com um lago maravilhoso!

Sortudas as pessoas que se aventuram a desbravar e perceber que aqui é um bom lugar para morar. Feliz, quem não se omite a dizer “oi” ou “bom dia” surpreendendo o motorista ou o cobrador de ônibus.

Brasília é para os sensíveis e os pacientes que se permitem plantar e aguardar germinar as boas amizades que o Setor Comercial Sul pode te dar. Ou, deixar-se acolher pelos/as hortelões/ãs, que, como lobos e lobas em suas alcateias, trabalham incessantemente para que além de viva, Brasília seja cada vez mais verde!

Não se enganem… não é qualquer verde! É o verde ecológico, sintrópico que produz água, cooperação e muito afeto. O verde agroflorestal que nos envolve a cada dia e nos leva a voar para fora do plano encontrando outros eixos em outros territórios, que de satélites não tem nada, são astros protagonistas de brilhar e conduzir muitos viajantes.

Brasília é muito amorosa e tem me ensinado diferentes formas de cuidado materializados com alguns “nãos” e “você pode melhorar”. Brasília é encantadora, Brasília é surpreendente.

Quantos anos mais tenho por aqui? Não sei… mas que eu siga nesse caminho de encontros e levezas, incertezas e oportunidades.

P.S: A foto foi tirada um dia desses, uma vista do meu quarto.

26 anos | sobre transbordar

26 anos | sobre transbordar

Hoje faz 10 dias que eu estou com 26 aninhoooos! E como eu sou uma empolgadinha com aniversários não posso deixar de compartilhar meus sentimentos em relação a esse fato! Como sempre, eu vivi de maneira muito alegre e festiva meu recomeço de ciclo. Acho que é assim que tem que ser mesmo, muita celebração e partilha pelas experiências que temos a cada volta completa que damos no sol. Eu sigo com aquele sentimento que não estou pronta para ser adulta, que não estou segura das coisas que tem acontecido, mas ainda assim, vou vivendo. Pensar que 26 é uma idade que está “no meio do caminho”: nem 20, nem 30, nem jovem, nem velho… é muito estranha essa constatação!

Pessoalmente falando, ser jovem adulta é muito mais difícil que ser adolescente. Porque você segue com a mente confusa, mesmo que menos impulsiva, mas agora é tu por ti, afinal, já “é alguém nada vida”, já é “gente grande”. Mas assim como ninguém te ensina a ser adolescente, ninguém te dá o caminho das pedras da vida adulta. Ninguém te avisa das inseguranças do cotidiano, dos conflitos que vão além do grêmio ou movimento estudantil e das idealizações da fase anterior que não se materializam. Como conseguimos, vamos trilhando caminhos, conhecendo novas paisagens e se acostumando com essa realidade diferente.

Tô chamando esse meu momento de solitude compartilhada. Estou com todos, mas estou comigo mesma. Estou na teia da vida e vou dançando as músicas do ambiente, mas tem algo em mim tocando também. O legal disso, é que talvez eu sempre tivesse uma canção interna, uma melodia só minha, mas eu não conseguia distinguir e achava que dançar com os outros a música dos outros era seguir o meu ritmo. Que doce descoberta ouvir os meus ecos, me movimentar com os meus tons e perceber que ao me deixar conduzir por essa dinâmica eu não estava me descompassando do(s) espaço(s) que eu pertenço. E não somente não estou fora da sincronia como consigo deixar mais plural toda a cantoria.

Com 26 anos eu estou vendo a beleza da solitude, a beleza de reconhecer os meus compassos e a beleza de, nesse processo, transbordar. Que essa sinfonia siga pulsante por mim, por meio de mim, com os outros e para o outros. Que eu celebre os muitos transbordes de todos e todas que me cercam e que nunca falte música para conduzir nossas histórias.

Somos analfabetos

Somos analfabetos

Somos analfabetos
Não valorizamos os ciclos dos seres
Desconhecemos a linguagem dos solos
Não fluímos na teia da vida

É tempo de ecoalfabetizar
Desmitificar a falsa ideia de desconexão
Reconhecer que somos tão pó quanto o pó
E a forma da nossa relação no ambiente

É tempo de ecoalfabetizar
Identificar quais os ventos trazem chuva
Conhecer flores de hortaliças
Conversar com a diversidade de fauna e flora

É tempo de ecoalfabetizar
Perceber-se como parte do todo
Interagir de forma integrada ao sistema
Envolver-se na plenitude da natureza

É tempo, e na verdade… já passou.

Revolução orgânica e gentil

Revolução orgânica e gentil

Hoje foi a celebração de um aniversário e um lindo processo que se inicia. Aqui em Brasília, sigo com minha motivação e atuação em defesa da repopularização das PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) pelo Other Food e ainda, recebi a graça de conhecer três iluminadas para seguir nessa caminhada por meio do projeto ainda em formação (aguardem as novidades!!!!!) ReFazenda.

A cada momento como esse, eu confirmo que estou vivendo uma linda história, cheia de pessoas que sonham tanto quanto eu e acreditam nas pessoas. A maior maluquice que uma pessoa pode fazer na vida é confiar em mim (hehehehehehe), assumo minha essência pirada de querer abraçar um mundo com duas pétalas de flor.

Sim, outra alimentação é possível, outra forma de relação de trabalho é possível, outros vínculos com nossos irmãos e irmãs dessa Terra é possível. Podemos viver uma conexão com a natureza genuína, ressignificando o que consideramos “normal”, “convencional”, “legal”. Podemos ressignificar nossos rituais sociais e nossas práticas para materializar um ambiente de respeito e cuidado com a natureza e nosso/a próximo/a.

Hoje me encantei com um PANCNIQUE aniversário. Me emocionei com uma surpresa de aniversário. Me empolguei com tudo que consegui realizar com esse tipo da foto. Layse, obrigada por confiar numa pirada, comprar essa ideia das PANC e nos oportunizar um oceano de aprendizagens profissionais e pessoais.

Layane, Daniela e Mayara, nós podemos muito. Que lancemos esperança no coração de muitas pessoas e que essa sinergia ressoe territórios a fora para as transformações que nós acreditamos serem possíveis de concretizarmos.

Uma revolução orgânica e gentil porque não tem luta sem poesia e ternura.