O comemos muda o mundo! Saiba onde encontrar alimentos locais em diferentes cidades no Brasil.

 

Um jargão muito utilizado quando falamos de alimentação e saúde é: ”você é o que você come”, isso porque realmente a qualidade e quantidade dos alimentos que consumimos todos os dias contribui para a manutenção do nosso organismo e bem-estar. Acontece que alimentação não está restrita a essa relação biológica das nossas necessidades.

Alimentação é algo difícil de definir, ela é um processo biológico que faz a nutrição do nosso corpo; é um setor econômico que movimenta parte das relações de trabalho no mundo, como também, um fenômeno social com expressões culturais que dão identidade às refeições das sociedades. Alimentação é uma intensa marca da humanidade na natureza ao mesmo tempo que por meio dela somos marcados. Alimentação está tão arraigado no nosso dia-a-dia que esquecemos de pensar sobre esse ato.

Por isso, eu acredito que o mundo é o que comemos. Conhecer o caminho que acontece da semente ao prato é essencial para buscarmos saúde para nós mesmos e o ambiente. O consumo de alimentos locais é um ato de amor! Mesmo na cidade, nós urbanóides podemos contribuir para os impactos positivos que nosso planeta precisa e merece.

Alimentação local é aquela que utiliza alimentos que foram cultivados perto de onde moramos, e não pense que proximidade é sinônimo de restrição. Principalmente aqui no Brasil, onde todos os 5 biomas (Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Amazônia e Pampa) apresentam uma diversidade de comidas e culturas gigantesca. Cada bioma brasileiro é uma imensidão de cores, sabores e histórias de homens e mulheres que carregam essas paisagens em seus modos de vida e isso também se expressa na alimentação. Já aproveita e põe aí nos comentários a sua região e qual é o prato mais delicinha que você encontra só por aí!

No vídeo IDEIAS PARA MELHORAR O MUNDO: ALIMENTAÇÃO LOCAL, eu falo sobre os benefícios de uma alimentação local. Aqui no texto eu quero apresentar algumas iniciativas lindinhas que trabalham com alimentos da sociobiodiversidade brasileira. Conheça essas iniciativas e descubra quão perto de você podem estar esses alimentos bons, justos e limpos para quem produz e quem consome! <3

Feira do Produtor – CEASA/DF | Foto: Bruna de Oliveira

Feiras Orgânicas: as feiras agroecológicas são espaços onde muitos produtores e produtoras regionais comercializam suas colheitas e produtos beneficiados como geleias, compotas, queijos ou polpa de frutas. Aqui em Brasília existem muitas feiras nas quadras residenciais no plano piloto, tem também a CEASA-DF onde, aos sábados, tem a feira do produtor com vários stands de cooperativas de produção, assentamentos da reforma agrária, etc. Você pode conhecer feiras perto de vocês por meio de uma ferramenta chamada Mapa de Feiras Orgânicas, idealizada pelo Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, com objetivo de tornar os produtos orgânicos mais acessíveis aos consumidores e fomentar uma alimentação saudável em todo Brasil.

Empreendimentos de Economia Solidária: Eu não sei você, mas eu acredito que podemos inovar nas relações de trabalho e considero que os princípios da economia solidária estão muito alinhados às práticas comunitárias de trabalho. Existem associações, cooperativas e centrais de cooperativas empenhadas em potencializar a construção e o fortalecimento de mercados para produtos das mãos de comunidades tradicionais e campesinas.

  • Central do Cerrado: A Central do Cerrado é uma central de cooperativas sem fins lucrativos estabelecida por 35 organizações comunitárias de sete estados brasileiros que desenvolvem atividades produtivas a partir do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado.
  • COPABASE: Com a missão de organizar e comercializar produtos artesanais e culturais da Região do Vale do Urucuia de maneira sustentável. A COPABASE é uma cooperativa que se dedica a agricultura familiar e a Economia Solidária, com sede em Arinos/MG no Vale do Urucuia. Sua atuação regional estende aos municípios de Arinos, Bonfinópolis de Minas, Buritis, Formoso, Pintópolis, Riachinho, Urucuia e Uruana de Minas.

Movimentos da Sociedade Civil: existem muitas pessoas se juntando para construir realidades mais ecológicas e amorosas por meio do setor de alimentos.

  • Movimento Slow Food Brasil: Esse movimento, que começou na Itália e se espraiou pelo mundo tem dado bons fruto aqui no Brasil também. Por meio do projeto Alimentos Bons, Limpos e Justos tem ajudado muito nessa rede cidadã agroalimentar, sendo um eixo conector entre quem produz e quem consome. Você sabia que no site desse movimento existem as Fortalezas e Comunidades do Alimento separadas por região? Tem sido muito legal acompanhar as atividades do Slow Food nesse projeto, uma das etapas que aconteceu foi o Seminário de Construção de Mercados para Alimentos Bons, Limpos e Justos na região Centro-Oeste, você pode saber o que rolou aqui.
  • App Responsa: O Responsa é fruto da parceria entre o Instituto Kairós e a cooperativa de trabalho EITA. Nele, você pode encontrar locais, iniciativas e grupos que adotam e fomentam práticas de responsabilidade na produção e consumo. Há iniciativas da economia solidária, grupos de consumo responsável, iniciativas de agroecologia, centrais de comercialização, pequenos produtores, cooperativas de trabalho, feiras orgânicas, restaurantes com produtos orgânicos, hortas comunitárias em todo o Brasil.

Produtores/as e consumidores/as em seminário sobre alimentação e sociobiodiversidade Slow Food. | Foto: Nzinga Bonne

Muitos desses produtos podem ser encontrados em restaurantes, empórios e lojas com princípios da sustentabilidade e agroecologia. Se você não conhece os alimentos locais da sua região, sugiro começar com o livro Alimentos Regionais Brasileiros, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em 2015. A publicação tem o objetivo de  favorecer o conhecimento acerca das mais variadas espécies de frutas, hortaliças, leguminosas, tubérculos, cereais, ervas, entre outras, existentes no Brasil.

Uma coisa é certa, precisamos fortalecer as redes entre quem produz e quem consome, abraçando os princípios ecológicos e da economia solidária. A sociobiodiversidade alimentar brasileira é formada por mulheres e homens do campo e da cidade, preocupados com o cuidado com o meio ambiente, com todos os seres que compõem a natureza e em como essas relações se estabelecem. E não menos importante, pelo sabor dos nossos pratos!

Estamos cada vez mais conectados com o mundo inteiro e todas as coisas boas que a diversidade global pode nos oferecer. Ao mesmo tempo, estamos cada vez mais desconectados de todas as coisas boas que também existem pertinho da gente. Bora botar em prática o bom e velho “pensar globalmente, agir localmente”. Acho que um ótimo jeito de começar é através da alimentação: uma coisa que todo mundo faz, todos os dias! Comer localmente pode beneficiar o mundo inteiro.

Ah, você pode me mandar um e-mail (contato@crioula.net) contando sobre lugares legais que você sabe que poderiam estar nesta postagem. Compartilho projetos que fazem parte do meu cotidiano, é sempre bom aprender e compartilhar informações! Vamos conversar!

Texto escrito para o site do PorQueNão? – Mídia Interdependente