Participei de uma matéria especial sobre sustentabilidade para o Correio Brasiliense. <3 A série Brasília, patrimônio vivo: os protagonistas da história da capital é uma parceria entre o Correio Braziliense e o Centro Cultural Banco do Brasil. Elaborada por diferentes jornalistas, esta edição destacou a história de pessoas que tem feito a sua parte para a preservação do meio ambiente e o crescimento sustentável de Brasília. Agradeço à Gabriela Walker pela sensibilidade da escrita da minha história. =)

Sobre a terra, a vida e a mudança necessária

A ciência já atestou: estamos em deficit com o planeta. Se a cultura da exploração dos recursos naturais e do consumo não mudar, sofreremos em demasia. Racionamento de água é só o começo. A série Brasília, patrimônio vivo: os protagonistas da história da capital, parceria entre o Correio Braziliense e o Centro Cultural Banco do Brasil, destacamos pessoas que fazem sua parte para preservar o meio ambiente e contribuir para o crescimento sustentável.

Fazer diferente para fazer a diferença

Sustentabilidade não é um conceito mercadológico. É atitude, consciência e condição para a vida humana se manter por aqui. Há pessoas, em Brasília, contribuindo para isso

CRISTINE GENTIL – Especial para o Correio

13/04/2018. Crédito: Breno Fortes/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Cidades. Crise hídrica. Foto aérea feita com drone da Barragem do Descoberto.

Brasília nasceu e logo foi vista como um eldorado, lugar onde as pessoas chegariam para garantir assento entre os ricos. Mais do que oportunidade, muitos enxergaram a facilidade de expandir suas intenções, as boas e as más, infelizmente. Pode-se dizer que, em pelo menos um quesito, a capital de JK foi cruelmente castigada ao longo do tempo. A prática de ocupar, explorar e saquear as terras públicas foi — e ainda é — recorrente.

A ilegalidade gerou e gera prejuízos ao meio ambiente e compromete o futuro de Brasília, do cerrado e do planeta. Como mudar essa realidade? Além da ação do governo e dos demais poderes legalmente constituídos, é possível que cada cidadão faça sua parte. E há um bocado de gente fazendo. Não apenas na difícil missão de controlar invasões e denunciar irregularidades, papel das autoridades e também da imprensa. Mas também nos quintais — os próprios, os dos vizinhos e por aí vai.

Pioneiros e jovens têm resistido, interferido e criado mecanismos para tentar mudar a persistente cultura que induz ao desperdício, ao consumo em excesso, à produção de lixo, ao desgaste da natureza. No nono capítulo da série Brasília, patrimônio vivo: os protagonistas da história da capital, parceria entre o Correio Braziliense e o Centro Cultural Banco do Brasil, vamos mostrar quem são as pessoas que tomam a iniciativa de proteger a natureza, disseminam ideias que ajudam a tornar o mundo de fato sustentável, sensibilizam outras pessoas a mudar de atitude em relação ao planeta, etc.

A elas, devemos o despertar para uma nova consciência, que pode nos devolver a certeza de um futuro mais promissor. Por enquanto, não estamos apenas em alerta. Estamos em perigo.

O que é sustentabilidade?

Termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades dos seres humanos sem comprometer o futuro das próximas gerações. Relaciona-se ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando recursos naturais de forma inteligente. Para garantir o desenvolvimento sustentável, deve-se trabalhar para que a exploração dos recursos vegetais de florestas e matas seja controlada, fazendo o replantio sempre que necessário. Além disso, preservar áreas verdes não destinadas à exploração econômica, incentivar cultivo e consumo de orgânicos, usar energias limpas e renováveis, reciclar resíduos sólidos. E mais: promover e adotar ações para o consumo controlado da água e a não poluição de recursos hídricos, entre outras medidas.

Da horta ao prato

Bruna de Oliveira, nutricionista, decidiu ser o mais sustentável possível. Também trabalha para que as panc entrem no cardápio do brasiliense

GABRIELA WALKER – Especial para o Correio

Bruna de Oliveira queria ir à África, em missões humanitárias, para ajudar pessoas carentes, mas a mãe foi clara: ela precisava estudar e se preparar. Seguindo o conselho, Bruna entrou na faculdade de nutrição, mantendo como foco a vontade de encontrar alternativas que pudessem aliviar a fome de populações marginalizadas. Em 2011, na academia, descobriu as plantas alimentícias não convencionais (PANC) e, desde então, se dedica a entender e promover conhecimento sobre esses alimentos saudáveis e acessíveis que, até pouco tempo atrás, ficavam fora das mesas de refeição.

Natural de Porto Alegre, Bruna, hoje com 27 anos, se mudou para Brasília em 2015, pouco depois de concluir a graduação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Na capital, ela atua como pesquisadora associada do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA), órgão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília que promove e valoriza a evolução cultural da alimentação.

“A gente respalda e incentiva a segurança alimentar nutricional, que entende uma alimentação saudável como aquela que é socialmente justa e ambientalmente sustentável”, explica.

No projeto Clube do Jardim, promovido pela fundação, a nutricionista trabalha modificando a imagem do paisagismo tradicional e promovendo a aceitação de flores comestíveis e variadas plantas que podem entrar para o cardápio. Bruna defende a educação dos consumidores para uma alimentação saudável e reforça que a cura para crises e problemas de saúde está em refeições equilibradas e conscientes.

“A gente percebe que as pessoas na cidade são analfabetas ecológicas. Não conhecem os princípios da natureza e da ecologia e vivem uma vida totalmente descompassada”, analisa.

Hortas urbanas

Há dois anos e meio em Brasília, a nutricionista ajuda na implantação de hortas comunitárias e na mobilização de pessoas, participa de oficinas, faz mutirões e ensina como plantar e incluir plantas não convencionais no dia a dia. “Quando cheguei à cidade, eu encontrava algumas panc no Ceasa, mas, fora de lá, o circuito de comercialização era muito pequeno”, lembra. Hoje, diferentes iniciativas que produzem orgânicos oferecem panc no menu e vários restaurantes acrescentaram as plantas nos cardápios.

Segundo Bruna, os consumidores brasilienses estão entre os mais sensíveis à responsabilidade social envolvida no processo de alimentação. Existem hoje, no Brasil, cerca de 100 Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA) — 30 delas estão na capital. Essas organizações seguem um modelo de desenvolvimento sustentável que permite ao produtor vender diretamente ao consumidor, sem a necessidade do intermédio de grandes cadeias de distribuição. A prática valoriza o pequeno agricultor e a adoção de preços justos, além de contribuir com a saúde dos trabalhadores agrícolas e dos compradores.

A velocidade em que esse tipo de iniciativa se expande na cidade mostra o crescente interesse dos brasilienses em apoiar uma agricultura saudável, sem agrotóxicos e de qualidade. Bruna é um exemplo de como uma vida sustentável pode ser compatível com a correria da rotina urbana.

 

Além da minha história, você também pode conhecer a trajetória de outras pessoas, suas famílias e/ou projetos que tem feito de Brasília um lugar mais sustentável na versão completa da reportagem disponível neste link.